Em comemoração, atrasada é certo, do
Dia Europeu dos Vizinhos (31 de Maio):
'Mas à porta, ao levantar os olhos, viu no fundo escuro da loja de carvão o vulto enorme da carvoeira, de chambre branco, estendendo o olhar, cocando; por cima, três das Azevedos, entre as velhas cortinas de cassa, juntavam as suas cabecinhas riçadas nalgum conciliábulo maligno; por trás dos vidros a criada do doutor costurava, com olhares de lado, a cada momento, que lambiam a rua; e ao lado, na loja dos móveis, sentiam-se as expectorações do patriota.
«Não passa um gato que esta gente não dê fé!» - pensou Sebastião. «E que línguas! Que línguas!»'
Eça de Queirós - O Primo Basílio

