
Cairo, Mesquita de Ibn Tulun
'No Egipto não há céu: aquela profundidade lisa, imóvel, sempre eternamente azul, é um deserto, é uma solidão. O céu do Egipto é um ídolo: as inquietações, os desejos, os tédios, tudo ele vê passar, impassível, implacável e azul. Não dá nada, nada diz ao poeta, ao cultivador, ao viajante, ao mendigo. É como um céu de pedra. Parece feito de lápis-lazúli. Irrita pela fixidez e pela perfeição vazia. É o mais terrível dos desertos: é um deserto de abstracção, um deserto sobrenatural.'
Eça de Queirós - O Egipto e Mais Notas de Viagem


Obrigada pela referência!
Leio Eça sem+re com um lápis na mão. Não resisto e sublinho-o a todo o instante. (Comentar)