Mulheres na obra de Eça (VII)
Raphael Soyer - Blond Figure (1940s). National Gallery of Art.
«Era uma mulher singularmente atraente: não era linda, era pior: tinha a graça. Eram admiráveis os seus cabelos louros e espessos; quando estavam entrelaçados e enrolados, com reflexos de uma infinita doçura de ouro, parecia serem um ninho de luz. Um só cabelo que se tomasse, que se estendesse, como uma corda num instrumento, de encontro à claridade, reluzia com uma vida tão vibrante que parecia ter-se nas mãos uma fibra tirada ao coração do Sol.
Os seus olhos eram de um azul profundo como o da água do Mediterrâneo. Havia neles bastante império para poder domar o peito mais rebelde; e havia bastante sonho de se afogar naqueles olhos.
Era alta bastante para ser altiva; não tão alta que não pudesse encostar a cabeça sobre o coração que a amasse. Os seus movimentos tinham aquela ondulação musical, que se imagina no nadar das sereias.
De resto, simples e espirituosa.»
Eça de Queirós e Ramalho Ortigão – O Mistério da Estrada de Sintra


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faz falta mais homens destes, ai