Agosto 21, 2006

Artigo de António Sousa Homem

"De Eça, de quem somos filhos...

   O velho Doutor Homem, meu pai, tinha arroubos de cos­mopolita. Isso acontecia quando lhe ocorria citar Eça de Queirós ou lembrar-se do mestre. "Quer a gente um ministro? Não há um ministro. Quer-se um economista? Não há um economista." Assim falava o conde de Gouvarinho sobre o reino. O retrato do País, pela pena de Eça, emprestava-nos uma aura de luxo que não tínhamos. Recomendo ao leitor que retome, um destes dias, as descrições do Ramalhete, que sempre me impressionaram pelo rigor poético com que Eça desenhou a decoração do velho palácio dos Maias, cheia de cretones, repes, quebra-luzes, mesas de jogo, poltronas, antecâmaras, escadas interiores, alcovas de banho, alabastros e porcelanas, Rubens imaginários. O retrato convinha ao romance, convinha aos Maias, convinha até ao País, pobretanas e deslocado – mas era literatura a mais. (...)"                  [ler restante artigo neste link]

Revista Notícias Sábado – 15 Julho 2006

Escrito por Fradique em 19:30:10 | Link permanente | Comments (0) |