Mais um livro sobre Eça...

«O bisneto de Eça de Queiroz, António Eça de Queiroz, jornalista do Expresso, escreveu um livro polémico, com uma intenção muito simples: preservar a imagem autêntica do seu bisavô, contestando algumas das visões e leituras propostas por pretensos especialistas.
É um livro muito directo, que chama clones aos Eças que alguns inventam e diz porquê.
O autor sustenta que, a pretexto do interesse por Eça, há personalidades que se servem do grande escritor como mero veículo de promoção pessoal, e ataca o que diz serem alguns auto-nomeados especialistas como seja o caso de José Hermano Saraiva, Agustina Bessa-Luís, João Gaspar Simões e Maria Filomena Mónica.»
Retirado daqui. Ver também site da editora.
Desconfio sempre destes livros que se auto promovem como polémicos e arrasadores, e ainda por cima detentores de uma verdade única. Isto de livros escritos por familiares (este é escrito por um diletante bisneto de Eça de Queirós...) é quase sempre o mesmo! Podem não ter tido contacto com a pessoa em causa, mas julgam-se sempre superiores a todos os outros biógrafos.
É certo que Eça de Queirós teve os seus biógrafos e estudiosos com certos tiques e manias, que moldaram e adulteraram a visão da vida e obra deste grande escritor, mas o que perpassa neste livro é a vontade de relevar muita coisa (polémica de preferência) e mostrar ser melhor na esperança que este seja um canhenho que venda muito pelo Natal.
«Ora ananases» digo eu....
O livro é editado pela Guerra & Paz e custa 17 euros.


Então afinal o que lhe aconteceu, Fradique? O velho Fradique Mendes que todos conhecemos nunca faria um julgamento tão apriorístico sem ao menos se debruçar um pouco sobre o que iria depois julgar. Não se limitaria a folhear o livro, ler uma frase e, num atitude de curioso, passar os olhos a correr pelo índice...
E deve ter sido aí, nesse índice fatal, que V., Fradique, descobriu as «verdades únicas» que julga que eu defendo no meu trabalho. Ora essa «verdade única», meu caro, pertence inteirinha ao professor Saraiva – que democraticamente a difundiu como jóia da sua cultura pessoal através dum meio ao qual eu não tenho acesso. E dá-se o caso de tal «verdade única» não passar duma balela de jurista saudoso, que julga ter descoberto a pólvora e se dá ao disfrute de apresentar a sua «novidade» na televisão pública, pretendendo com isso oficializar um facto absolutamente improvado (e improvável, digo-o eu) e assim entrar de frincha para a história.
Como é que alguém tão atento como V. não reparou nisso? E noutras coisas que por lá surgem? V. agora também tem medo das «vacas sagradas»?, dos escritores do regime, é isso?
Mas é claro que V., Fradique, ainda não sabe nada do assunto, não é? Nem disso nem do resto – como é bom de ver. Entrou numa fase niilista, foi?, ou de grande desprendimento, pelo menos...
Digamos que isso ainda se percebe – afinal, não há tempo para tudo.
O que já não entendo de todo é como uma mente de tão grande urbanidade, tão aberta, como era hábito ser a sua, necessitar de descer ao tablado da Academia para fazer uma declaração de princípio sobre alguém que não conhece de todo, servindo-se apenas do nível de habilitações literárias desse desconhecido para o classificar de forma taxativa como mero bisneto diletante!
E quem é V. afinal, Fradique? É apenas mais um curioso da coisa com blog incorporado? É só isso ou também se tornou académico, quiçá professor? Então agora também somos corporativos, Fradique? Quanta decadência, Fradique!, quanta decadência...
E depois toda aquela sua desconfiança!, Fradique... Aquele medo intenso que o ataca quando «aparece alguém e»...
Que diabo, homem, se tem medo compre um cão!
António Eça de Queiroz
(bisneto diletante)
ps (Aproveito para lhe agradecer a publicidade gratuita aos meus «ananases» – mas não havia necessidade….)
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Se ficou ofendido pelo "diletante", digo desde já que não foi com intenção de achincachar mas sim no sentido daquele "que exerce uma arte por paixão e não por obrigação", fora do academismo.
O decadente Fradique. (Comentar)
Enfim, nada disso tem real importância. Espero sim que leia, que comente e, já agora, que goste um pouco.
Sinceramente. (Comentar)